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Acessibilidade e Usabilidade na web: um caso (realmente) sério

O Thalis Valle escreveu um texto que, junto com o fato ocorrido ontem, que eu conto aqui, me levaram a pensar na precariedade em que se encontram essas duas grandezas (?) da web atual.

Estava ontem com um amigo, quando ele lembrou que precisava fazer um saque relativamente alto no banco. Apesar de estarmos em frente a um computador, não pensamos duas vezes: fomos direto à agência mais próxima (que nem era tão próxima assim). É impressionante como os sites de banco sempre são odiados nessa situação; e eu, que nunca precisei usar nenhum serviço de internet banking, achava que era pura frescura.

Fomos então à agência fazer o saque. Quando chegamos lá, o sistema estava em pane, ou seja, nenhum caixa estava funcionando, o que significava que tínhamos ido lá à toa. Uma atendente nos disse que esse tipo de saque poderia ser feito online, “com toda segurança e comodidade”. Voltamos então pra casa dele, pra tentar a sorte no internet banking.

Quando meu amigo entrou na conta dele (ou achou que iria entrar), foi solicitado que ele digitasse uma “senha” de segurança (aquelas letrinhas que estão por aí, em todo lugar). Só que havia um detalhe: essa sequência só poderia ser digitada usando o teclado virtual que estava logo ao lado da senha (um applet em Java). Como meu amigo não tinha Java instalado no PC dele, foi necessário fazer o download, instalar e reiniciar o computador, para só então entrar novamente no site do banco e… Receber novamente a mensagem de que o Java não estava instalado e que não era possível acessar a conta para nenhum propósito. No final das contas, meu amigo acabou ficando sem fazer o saque e teve que se explicar com a pessoa que estava esperando pelo depósito.

Depois de tudo isso eu não poderia deixar de pensar sobre as falhas graves de acessibilidade e usabilidade que acabam por proporcionar situações como essa todos os dias, principalmente nos sites de bancos (sim, agora eu me convenci de que não é pura frescura. rsrs).
Será que um cego conseguiria utilizar um serviço tão trivial como esse, com facilidade? Será que uma pessoa com limitações motoras também conseguiria? Será que pessoas sem nenhum tipo de deficiência conseguem?!
Eu acho que o Bradesco vai descobrir da pior maneira a resposta a essas perguntas…

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Quais são as vantagens de se adotar os Padrões Web?

Muitos desenvolvedores dos tempos antigos, quando a onda era “chapar logo uma table e ir dividindo as linhas e colunas” pra montar os layouts, apresentam uma certa resistência quanto aos web standards, muitas vezes por pensar que se trata simplesmente de construir layouts sem tabelas, e nada mais.
Convenhamos, não deve ser nada fácil aceitar o fato de que o método que você utiliza a vários anos pra fazer websites não é o correto e que você deve mudar – drasticamente – esse método.

“Mas meus sites sempre funcionaram legal e meus clientes sempre ficaram satisfeitos…”, é o que muitos podem dizer.
Será? Bem, a parte dos “clientes satisfeitos” pode até ser – porque eles não estão nem aí se o site é feito com table, div, ul, p, ou o que quer que seja. Mas mal sabem eles (os desenvolvedores “antigos”) que construir sites de acordo com os padrões implica em diversos fatores muito mais interessantes e importantes do que simplesmente abandonar as tabelas na estruturação de layouts.
Existem vários fatores que, se seus sites foram feitos basicamente com tabelas, certamente não “funcionam legal”, não. Vamos ver um pouco sobre dois, que julgo eu serem dos mais importantes deles.

  • SEO

    Sites escritos de maneira semântica tendem a fornecer informações mais relevantes a mecanismos de busca do que sites não-semânticos. Ou seja, quando algum robô de busca passa por um site semântico, ele sabe exatamente o que é um título (principalmente se esses títulos estiverem bem hierarquizados), o que é um acrônimo, uma abreviatura, uma lista ordenada, não-ordenada ou de definição, um endereço, etc, etc, etc. Informações essas que um site não-semântico jamais será capaz de fornecer a um robô de busca.
    Desta forma, a informação coletada por esses robôs a partir de sites semanticamente corretos estará melhor “mapeada” e mais acessível a usuários que pretendam pesquisar sobre tal assunto. Não precisa nem falar que esses sites (os semânticos) alcançarão melhores posições nas páginas de busca do que os sites não-semânticos, não é?

  • Acessibilidade

    O fato de um site ser escrito de maneira semântica, por si só, já contribui para que ele seja mais acessível, tanto para screen readers quanto para browsers textuais, por exemplo. Mas nem por isso o fato de que existem recomendações – e validação – acerca da acessibilidade de um site deve ser ignorado. Não entrarei em detalhes sobre esse assunto, pra não fugir do escopo desse post.

    Mas, falando dos benefícios que os Padrões Web trazem em relação à acessibilidade, caímos novamente adivinha onde… Na semântica, é claro!
    Conteúdos bem tratados (leia-se: escritos de maneira semântica) fornecem informações mais precisas e exatas para robôs de busca, leitores de tela pra deficientes visuais, etc. Além disso, os sites que seguem os Padrões Web têm a vantagem de poder serem visualizados corretamente em diversos browsers, em diversas plataformas, e de diversos dispositivos. Isso é acessibilidade.

Esses são só dois dos fatores mais importantes (na minha humilde opinião) que os Padrões Web acarretam. Mas eu tenho certeza que você tem mais alguma coisa a acrescentar. Let me know!

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